26 Jan 2024

Carta Aberta em Solidariedade à População de Gaza

CARTA ABERTA EM SOLIDARIEDADE À POPULAÇÃO DE GAZA. PELO FIM IMEDIATO DO GENOCIDIO DO POVO PALESTINIANO. POR UMA PALESTINA LIVRE.

Em resposta ao contínuo genocídio em Gaza, a comunidade artística de Portugal não pode deixar de continuar a expressar o seu mais sentido pesar por todas as vítimas, directas ou indirectas, desta hecatombe. Não pode deixar de repudiar o regime de impunidade do estado de Israel. Não é sem uma sensação de impotência que observamos a desdita entre o Governo de Israel e a Organização das Nações Unidas, e a desconsideração pelas leis do Direito Internacional Humanitário. E não é sem igual embaraço que observamos a ausência de qualquer medida por parte do Governo de Portugal em respeito a esta situação, que tão claramente afronta qualquer ideal de humanidade e qualquer possibilidade real de justiça e liberdade.

Congratulamos o apoio que o Ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, deu anteriormente à posição tomada pelo Secretário Geral das Nações Unidas, António Guterres, mas observamos igualmente não ter havido qualquer tomada de posição relativamente aos negócios que se mantêm com Israel, em particular através da AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal. O cinismo com que o Governo de Israel justifica o bombardeamento indiscriminado de Gaza não deve ser espelhado com respostas ambivalentes por parte de qualquer Estado de Direito Democrático. A União Europeia tem sido incapaz de exercer a responsabilidade que lhe é devida perante a intensificação do conflito armado, inibindo-se de sancionar o Estado de Israel, por um lado, e de reconhecer o Estado da Palestina por outro.

A comunidade artística de Portugal não se compadece com tais posicionamentos, ou ausência deles, e apela a que Governo de Portugal condene os crimes de guerra e crimes contra a humanidade perpetrados pelo governo de Netanyahu, sancionando de imediato o Estado de Israel na medida do seu alcance, não deixando de pressionar a União Europeia, nas figuras que a representam, a adoptar medidas que fazem valer as convenções Europeias e a aplicação do direito internacional. Apela ainda a que Portugal declare apoio à denúncia da África do Sul da intenção genocida israelita ao Tribunal Internacional de Justiça.

Igualmente, exigimos que se condene todo e qualquer boicote ou retaliação a quem se manifeste a favor do cessar-fogo ou do reconhecimento da Palestina como um Estado de Direito próprio, sendo a sua liberdade de expressão condição sine qua non na luta contra todas as formas de violência.

Subscrevem:

A Bela Associação ADDK-Portugal
Agência 25
Associação Parasita CAMA Associação Cultural casaBranca Jonas&Lander
Mundo em Reboliço
Noitarder
Pé de Cabra
Performart – Associação para as Artes Performativas em Portugal Real Pelágio
REDE – Associação de Estruturas para a Dança Contemporânea Sete Anos

Apelamos à comunidade das artes em Portugal que se junte às nossas reivindicações.
Para subscrições, enviar e-mail a identificar a estrutura e o respetivo setor artístico para associacaoparasita@gmail.com.